domingo, 10 de janeiro de 2010

10) A criança entre os 6 e os 10 anos

Segundo Freud a vida sexual humana entra depois dos 5 anos em um período de latência no qual o desenvolvimento psico-social se detém e há uma regressão: a energia é desviada para outros fins sexuais obtendo-se desta forma logros culturais e sociais, constituindo o mecanismo de defesa do ego conhecido como sublimação.
Neste período a criança ingressa na escola primária e seus brinquedos muitas vezes representam dramatizações deste novo ambiente, começam a desenvolver interesse pelos jogos de salão: dominó, damas e jogos de “corrida”. Com a escola aparecem novos brinquedos que combinam com a aptidão intelectual, sorte e competição.
Um dos elementos mais importantes, entretanto, é a formação de grupos: A turma, O clube, A gang. A turma serve como um “espaço transicional” ( WINNICOTT ) entre a proteção e a segurança familiar. No grupo eles aprendem normas de convívio social, democráticas e autocráticas, justiça e injustiça, lealdade e ideais. Vivem uma cultura especial constituída por jogos tradicionais: Segredos, enigmas, insultos, regras, etc... Transmitida virtualmente intacta de uma geração de crianças à outra, às vêzes através de séculos, sem ajuda dos adultos. Na turma se estabelecem ritos e segredos muitas vezes constroem códigos de fala e escrita com caráter claramente obssesivo. Também entram as coleções desde pedras simples até selos, num processo evolutivo.
O esporte começa a interessa-los, logo têm um time de futebol onde toda a “turma participa”
Aos 8 anos aproximadamente começam a establecer amizades mais estáveis e alguns iniciam namoros. Cultuam heróis, artistas de novela ou cinema, jogadores de futebol, cantores ou mesmo amigos mais velhos.
O corpo retorna a ocupar o papel fundamental: as lutas, os jogos de esconde-esconde, pega-pega

9) O BRINQUEDO E O DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO

O Pré escolar
Muitas das condutas na fase anterior persistem no pré escolar, período compreendido entre, aproximadamente os 3 e os 6 anos. Nesta idade os desejos genitais que aumentam de intensidade aparecem em vários tipos de atividade de tal forma que apenas uma parte deles fica livre para a relação edípica com os pais. Os desejos genitais aparecem canalizados para as brincadeiras de casinha, mamãe-papai etc... satistazendo assim a necessidade de tocar e ser tocado, de ser visto e ver.
Nota-se entre crianças de 3 e 4 anos uma flutuação entre o jogo paralelo e o associado. Neste último as crianças se agrupam, às vezes por poucos instantes havendo evidentes demonstrações de um sentimento compartido. A conduta lingüística segue a mesma pauta da conduta social: de um ocasional grito de: -Meu! Ou: - Não! Desenvolvem uma versão verbal do jogo paralelo conhecido como monólogo coletivo; cada um fala por sua vez esperando o que o outro têm a dizer. Os assuntos entretanto tem pouca ou nenmhuma relação entre si.. Entre os 4 e os 5 anos porém já há um intercâmbio verbal: descrevem situações, trocam informações e combinam e estabelecem regras para seus jogos.
Ainda que o jogo dramático da criança pré-escolar seja predominantemente ligado às cenas da família, ao desenvolver-se este período, de maneira progressiva, surgem personagens e conteúdos mais distantes: vaqueiros, guerra, selva... Os papéis sexuais se ligam necessariamente ao próprio sexo.
No brinquedo de família as crianças dramatizam seus sentimentos e pensamentos acerca de seus familiares. À medida que as crianças percebem a discrepância que existe entre a imagem que criam dos pais e a realidade, vai se desiludindo cada vez mais deles.
Outro elemento importante na idade de 4 à 5 anos são os amigos imaginários. ( pesquisa de Anes e Learned ) 20% das crianças têm companheiros imaginários: amigos, identidades, domínios, animais ou mesmo seres terroríficos. É possível que a incidência chegue à 50%. São vividos com toda a solidez de objetos reais. Ainda que este fenômeno faça parte do desenvolvimento normal ele surge de necessidades internas da criança, por isto é útil observar. É tido isto por D. BURLINGHAM ( 1945 ) como um resultado da contravenção edípica, e como um escape à solidão.
Começam a gostar de revistas em quadrinhos que muitas vezes retratam situações familiares. ( casal Olívia e Popeye ; Família Donald )

8) ANNA FREUD

Em seu livro intitulado “Ïnfância normal e patológica”, no capítulo: “Do corpo ao brinquedo e do jogo ao trabalho” descreve interessantes aspéctos à respeito da atividade lúdica:
a) O brinquedo principia com o bebê, como uma atividade que gera prazer erótico... é levado à efeito no próprio corpo da criança ( atividade auto-erótica ) ou no corpo da mãe ( usualmente em ligação com a amamentação ).
b) As propriedades do corpo da mãe e do corpo do filho São transferidas à algum objeto macio, como uma frauda, um travesseiro, um urso de pelúcia que servem como transicional.
c) São estes objetos simbólicos, por isso, são acariciados e maltratados alternativamente. Como são inanimados habilitam a criança a extressar toda a gama de ambivalência como ele.
d) O carinhoso apego aos brinquedos se dissipa gradualmente, salvo na hora de se deitar, quando há um recolhimento narcisista necessário ao sono.
Durante o dia os brinquedos são substituídos por materiais que não possuem status de objeto, mas que servem às atividades do ego e às fantasias nelas subjascentes.
1) Brinquedos que oferecem oportunidades para atividades do ego, como encher esvaziar, abrir e fechar, ajustar, misturar. Sendo o interesse neles deslocados das aberturas do corpo e suas funções. ( observações: Esta parte condiz justamente com uma série de atividades ministradas por um professor de Ed. Física, como por exemplo ao final de uma aula de natação na parte recreativa em que a criança terá seu ego valorizado com o prazer de encher e esvaziar um pote, e mesmo durante a aula quando se apraz em brincar com os materiais { sejam stes halteres de hidroginástica, pranchas, flutuadores, etc... } )
2) Brinquedos móveis, fornecendo prazer na mobilidade
3) Material de construção, oferecendo iguais oportunidades à construção ou destruição.
4) Brinquedos servindo à expressão das tendências e atitudes masculinas e femininas para serem usadas: a – Na interpretação solitária de papéis. B – Na exibição do objeto edípico ( obsseção para o incesto { união sexual ilícita entre parentes } ) c – Na encenação de várias situações do complexo de Édipo em jogos de grupo.
5) Satisfação na atividade lúdica, cede progressivamente ao prazer no produto terminado da atividade.
6) A aptidão lúdica converte-se em aptidão para o trabalho quando um certo número de faculdades adicionais foi adquirido, como as seguintes.
- Controlar, inibir, modificar os impulsos para usar materiais agressiva ou destrutivamente ( não despedaçar, arremeçar, misturar, acumular ), e usa-los poelo contrario positiva e contrutivamente ( planejar, construir, aprender, e na vida comunal repartir )
- Executar planos pré concebidos com uma consideração mínima pela falta de retribuição imediata de prazer, frustrações intermediárias, etc. e uma máxima consideração pelo prazer no resultado final.
- Realizar não só a transição do prazer instintivo primitivo para o prazer sublimado, em conjunto com um elevado grau de neutralização da energia empregada. Mas também a transição do prazer para o princípio de realidade, um progresso que é essencial para o êxito no trabalho, durante a latência ( presença de elementos psíquicos esquecidos na esfera subliminar da consciência ), a adolecência e a maturidade.

7) NO CONTEXTO DE PIAGET

Considera que o brincar inicia na terceira etapa da fase sensitivo-motora, entre o quarto e o nono mês, estabelece a seguinte classificação do brincar:
a) De excitação, destinado à obtenção de prazer: constituem uma conduta lúdica, sem uma estrutura particular, começam aos poucos meses de idade e chegam ao apogeu entre 1 e 2 anos.
b) De “como se” : agregam o símbolo e a ficção como elementos estruturais, representam com gestos uma série de realidades que não estão presentes no campo perceptivo. Surgem a partir do 2o ano e continuam até os 6 anos, pressupões a representação da imagem mental.
c) Os jogos com regras, próprios da latência e da puberdade, são uma imitação dos adultos, têm tradição transmitida através de gerações e constituem verdadeiras instituições sociais.

6) D. W. WINNICOTT

Pediatra e psicanalista inglês. Em seu trabalho; “Por que brincam as crianças ( 1942 ) apresenta motivações da atividade lúdica: Para buscar prazer, expressar agressão, controlar ansiedade, estabelecer contatos sociais , realizar a integração da personalidade e por fim, para a comunicação com as pessoas.
Sua contribuição mais original relacionada ao tema se passa quando aborda sobre a “experiência de viver em uma área de transição da própria experiência, isto é: transição com respeito à realidade interna e externa.”
“Existem neste caso objetos transicionais e fenômenos transicionais, para designar áreas intermediárias de experiências, entre o polegar e o ursinho, entre o erotismo oral e a verdadeira relação objetal, entre a atividade criadora primária e a projeção do que se tenha introgetado...”
Em seu trabalho posterior, “O jogo”, no capítulo “Playing and reality” expõe sua teoria do brinquedo:
a) A criança e o objeto se encontram fusionados. A visão que o primeiro têm do objeto é subjetiva a mãe se orienta para fazer real o que a criança está disposta à encontrar.
b) O objeto é repudiado, reaceito e percebido de forma objetiva, a criança , pela mãe se encontrar num ir e vir tem a capacidade de ser ela mesma. ( controle mágico / Onipotência { Dic.: que pode tudo, todo poderoso } )
Ottoni denomina este intervalo de tempo em que há o controle mágico descrito por Winnicott como campo de jogo, porque o jogo começa nele. Um espaço em potencial que existe entre a mãe e o filho, o que os une.

5) ERIK ERIKSON

Em seu livro: “Infância e sociedade” ( 1968 ) parafraseando Freud, chamou o jogo como: “A via régia para compreender os esforços da criança pra a síntese”
Segundo Erikson há uma distinção de três fases diferentes na evolução dos brinquedos da criança:
1) Início da “auto-esfera”: a criança explora sensações extero ou interoceptivas relacionadas com seu corpo ou com as pessoas que se ocupam de seus cuidados corporais.
2) Quando brinca na microesfera, a criança utiliza pequenos brinquedos representrativos mediante os quais exterioriza suas fantasias, atividade interrompida pela auto-esfera.
3) Macroesfera, a criança utiliza suas relações com os adultos e inicia o processo de sociabilização.

4) AS IDÉIAS DE ARMINDA ABERASTURY

“O brinquedo possui muitas características dos objetos reais ( ... ) Permite que a criança repita, à vontade, situações prazeirosas e dolorosas que, entretanto,, ela por si mesma não pode reproduzir no mundo real.”
“Brincando a criança desloca para o mundo exterior seus medos, angústias e problemas internos, dominando-os por meio da ação. Repete no medo todas as situações excessivas para seu ego fraco, isto lhe permite, devido ao domínio sobre os objetos externos ao seu alcance, modificar um final que lhe foi penoso, tolerar papéis e situações que seriam proibidas na vida real ( ... ) e também repetir à vontade situações prazeirosas.”
“Há a transferência positiva ou negativa para os objetos conforme estes excitem ou aliviem sua ansiedade, este mecanismo é a base de toda sua relação com os objetos originários. Através das personificações nos brinquedos, observa-se como o objeto pode modificar-se com rapidez, de bom para mau, de aliado para inimigo. O brinquedo infantiu progride constantemente para identificações cada vez mais aproximadas com a realidade.”